23 setembro 2012

Culinária actual: receita anti-crise

Não sou o Jamie Oliver, não tenho o seu salário e o meu inglês é macarrónico. No entanto, com os ingredientes certos vou, por vezes, arriscando na cozinha.
Trago, por isso, uma nova receita que, neste tempo de crise, criei há alguns dias atrás.
Espero que gostem, que experimentem e que dêem o feedback do resultado.


Coelho no tacho

À CAÇA:

Saia para caçar o Ma(is)cedo possível, na Assunção do dia, na Crista da manhã.  Comece por procurar um gordo e suculento Coelho. Este pequeno mamífero costuma dar os seus primeiros Passos do dia nas Relvas frescas dos campos de São Bento.
Ao identificar o animal, caminhe cuidadosamente na sua direcção e, com um pesado Cavaco ou um Ferro antigo oxidado, lhe acerte um golpe Seguro nas têmporas. 
Aguarde um momento até o bicho parar de estrebuchar e leve-o para a casa. 
Nota: apesar da aparente violência, este é um prato ecológico, seguindo a tendência da nouvelle cuisine Verde.


O PREPARO:

Por ser uma animal selvagem, o Coelho deve ser limpo cuidadosamente. Dessa forma, coloque o corpo num balde com água a ferver para que lhe saiam os parasitas mais comuns desta espécie: piolhos, pulgas, deputados, jotinhas e secretários de estado.
Tal como qualquer roedor, também o Coelho tem a irritante tendência de deitar o dente a tudo que o rodeia. Com uma faca afiada (de preferência da marca que nos patrocina a todos - Troika), esventre o animal e retire os seus rendimentos que lhe foram roubados. Tome cuidado com a vesícula biliar: o chamado fel que retém é rica em substâncias amargas e tóxicas tal como bicarbonato de sódio, colesterol, mentiras e arrogância.
Com o animal perfeitamente preparado, retire-o do tacho em que se encontra e enfie directamente num forno qualquer dentro de uma nova Louçã. Não é necessário ser um forno industrial, aliás, nem é necessário ser num forno, pode ser numa pira ou mesmo num incêndio florestal.
O tempo de cozedura deve ser variável. Confie nos seus sentidos. Se começar a cheirar a esturro estará no ponto.

O ACOMPANHAMENTO:

Antes de servir o prato principal, deleite-se com um pires de frescos corruptos, acabadinhos de pescar no pântano da Assembleia.
O Coelho no tacho fica bem acompanhado com salada de Crato e pastéis de nata da pastelaria do Álvaro. 
Para beber, pode escolher um vinho Aguiar-Branco, safra 2012, mas não exagere, Sóares desse vinho sob pena de ficar Alegre.
Para retirar o gosto Barroso do Coelho pode utilizar fatias de manga Rebelo.
É, por ser agridoce, melhor ser degustado no período de férias ou Natal. 

À MESA:

Para manter a receita num ambiente rústico, construa a mesa com 2 cavaletes e duas Portas azul bebé.
Sirva o Coelho na Louçã sobre uma Cândida toalha tricotada pelas meninas das lojas da tradicional maçonaria. 
Chame os seus amigos e, para mostrar gratidão pela peça de caça, faça uma prece a São Jerónimo. Sirva uma boa dose a cada um, mas cuidado: é preciso ter estômago para engolir esta Merkel.







7 comentários :

Sara non c'e disse...

Adorei a receita (embora também eu me chame Coelho e tenha um certo medo sobre o início da época de caça a este animal). Discordo apenas que este coelho seja selvagem. É do mais doméstico que pode haver. Que o diga a sô dona Merkel, a proprietária...

nAnonima disse...

Podes juntar-lhe o Jorge Coelho também?...

Malena disse...

Nem penses!!! Esfolá-los e cozinhá-los até que pode ser, agora comê-los!!! Cruzes!!!

Catsone disse...

Sara, este coelho é selvagem para todos à excepção da sua dona. O comportamento é selvático e desumano (apesar das lágrimas de crocodilo e da confirmação da paternidade).
Quanto ao facto de também seres Coelho. Nem todos os Coelhos são bons para este prato, aliás, este prato só é bom se o ingrediente principal for mal ou péssimo. Tás safa ;)

nAnonima, esse também dava uma bela tachada! E o da Madeira também. O que não falta é fornecimento! Bjs à Carlota.

Malena, tens razão, é extremamente indigesto e só serve para outros da mesma laia.

Sahaisis disse...

apetitoso meu amigo;)

Cirrus disse...

A receita certa era não ter votado no gajo...

Catsone disse...

Cirrus, alternativas?